sexta-feira, 15 de abril de 2011

A BELEZA ESTÁ NA ATITUDE DIANTE DA VIDA




Ramiro Sancho dia as pessoas não podem ser bonecas de linha de produção. Cada pessoa tem seu biótipo, sua carga genética e sua individualidade. Quando se respeita isso, começa a surgir a real beleza da vida, a essência de cada ser (FOTO: FABÍOLA CANGUSSU)


Fabíola Cangussu
Repórter

O que é beleza afinal? Hoje temos um padrão divulgado na mídia que parece estar fora do alcance da maioria dos mortais. Mulheres altas, saradas e com a aparência de eterna juventude. Não alcançar esses padrões pode causar angustias e até desvalorização do que realmente importa.
Uma leitora, que preferiu não se identificar, contou um drama vivido por sua amiga. Uma mulher bonita, inteligente, alegre, mas que se retrai em convívios sociais, e acaba segundo a leitora, tomando chá de cadeiras nos eventos festivos.
O especialista em comportamento humano Ramiro Sancho disse que a leitora deu uma pista do que pode estar acontecendo com essa mulher.
- No comentário deixado pela leitora, ela diz antes de tudo: ELA É GORDINHA, MUITO LINDA, INTELIGENTE... Bom, pelo que sabemos, estar acima do peso é considerado nessa sociedade que cultua o corpo como um defeito grave. Na vida e na TV se percebe que homens buscam as modelos seminuas, com barrigas retas e seios volumosos segurando uma cerveja gelada. Essa imagem retrata um pouco a sociedade em que vivemos. Mas apenas no primeiro momento. Ninguém consegue se relacionar apenas com uma imagem. O ser humano necessita de muito mais. Ele precisa de alguém que percebe e interaja com o que acontece ao seu redor. Que saiba como lidar com leveza as tormentas do dia a dia. Pessoas que quebrem a rotina com inteligência e bom humor – analisa Ramiro.
Vencer esse tabu que são impostos principalmente as mulheres é um trabalho árduo que deve ser incentivado dentro dos lares e escolas.
- Não estou dizendo que vamos aplaudir a obesidade. Claro que não. Estamos aqui valorizando a saúde. Saúde emocional é tão importante quanto a física. Claro que temos que cultivar hábitos saudáveis, como atividades e boa alimentação. O que não se pode é procurar ser bonecas de linha de produção. Cada pessoa tem seu biótipo, sua carga genética e sua individualidade. Quando se respeita isso, começa a surgir a real beleza da vida, a essência de cada ser – afirma o especialista.
Segundo Ramiro, nem sempre para jogar basquete se precisa ter 2,15, mas sim de boa estratégia, inteligência e bom posicionamento.
- Na vida também é assim. Quando se tem atitude, alegria de viver, inteligência, a pessoa descobre como seduzir, encantar e ser realmente admirada e amada. A linguagem corporal é poderosa. Portanto, toda mulher precisa usá-la a seu favor. Lembre-se, é a imagem que você tem de si mesma que é refletida aos outros – conclui o especialista.

terça-feira, 12 de abril de 2011

SOFRIMENTO NÃO É AMOR




Ramiro Sancho diz que insistir em relacionamento falido pode ser um tipo de compulsão(FOTO: FABÍOLA CANGUSSU)

Fabíola Cangussu
Repórter


Dizem que as pessoas acostumam com tudo, até com o próprio sofrimento, principalmente no que se refere aos relacionamentos amorosos. Mas o que será que realmente acontece na cabeça dessas pessoas?
Esperança Lima, 30 anos, de Arraial do Cabo/RJ questionou porque é tão difícil para algumas pessoas aceitarem o fim de um relacionamento.
- Por que as pessoas protelam. Insistem em continuar com algo que não está fazendo bem? – pergunta Esperança.
Segundo o especialista em comportamento humano Ramiro Sancho, quando as pessoas insistem em continuar investindo em um relacionamento falido, um dos fatores pode ser que o amor tenha sessado e dado espaço a compulsão.
- Todo tipo de compulsão é danoso, uma vez que se perde a noção do que realmente tem importância para o desenvolvimento emocional de cada pessoa. A compulsão são atitudes que se toma em troca de um ganho mínimo, mas que se torna mal adaptativa porque, apesar do objetivo que têm de proporcionar algum alívio de tensões emocionais, normalmente não se adaptam ao bem estar mental pleno, ao conforto físico e à adaptação social. No relacionamento amoroso, necessariamente tem de haver troca, harmonia, respeito e o investimento de ambas as partes. Na compulsão amorosa, essas peças deixam de se encaixar e gera um processo de dependência – explica o especialista.
Ramiro salienta que as pessoas são o termômetro de seus relacionamentos e por isso, sabem exatamente o que acontece nele.
- A vida a dois exige dedicação. Caso um dos parceiros parem de prestar atenção e de investir, tendem a levar o relacionamento ao fracasso. Isso significa que a administração dessa união depende do empenho dos dois. Portanto, eles sabem exatamente se existe ou não condição de se manter a relação – enfatiza Ramiro.
A leitora Leilane Gomes, 38, Recife/PB perguntou o que acontece com as pessoas que são magoadas, perdoam e continuam sendo ferida da mesma forma, mas não saem do relacionamento que estão?
A resposta para esse tipo de comportamento cíclico, também pode está na autoestima dessas pessoas, segundo Ramiro Sancho.
- Todos podem falhar, consequentemente, todos merecem uma segunda chance, inclusive os relacionamentos. Porém temos que perceber se há uma verdadeira vontade de ambas as partes de cortar as arestas, de verificar os motivos das mágoas e um total comprometimento de não repeti-los. Mas quando essas mágoas se tornam repetitivas, quando não há uma real vontade de mudança, e mesmo assim a pessoa magoada insiste em permanecer vivenciando a mesma história, há falta de compromisso consigo mesmo e falta de vontade de virar a mesa para ser feliz, caracterizando sintomas de baixa autoestima – analisa Ramiro.
O especialista alerta que o amor próprio é o que nos faz admirar as pessoas.
- Somos o reflexo de como nos vemos. Se a pessoa não consegue se amar, se colocar em prioridade, se respeitar e ser feliz, dificilmente conseguirá despertar esses sentimentos nos outros. A felicidade é um processo interno. Não estar no outro. Reconhecendo isso, quebra-se o grau de dependência dos relacionamentos e as pessoas passam a vivenciar relações em que os dois compartilham sonhos, metas e projetos, e são capazes de apoiar as ações uns dos outros – conclui Ramiro