quarta-feira, 22 de agosto de 2012

AMOR VIRTUAL, UMA FANTASIA?



                Fabíola Cangussu

Sim estamos vivendo um mundo on line. Hoje é cada vez mais comum as pessoas se relacionarem através de uma tela. As reuniões de negócios acontecem por conferencia à distância, as conversas entre amigos são através do face, do msn ou de outros sites de relacionamentos.  Isso é bom? É ruim?
Como tudo que envolve relacionamento humano, não existe o certo ou errado. Existem situações que pode ser mais ou menos adequadas que a outra. Como dizer que uma conferencia que agiliza e une pessoas em cidades diferentes pode ser errada. Isso diminui custo para as empresas e faz com que soluções sejam encontradas maior rapidamente.
O que dizer de pessoas que podem continuar mantendo contato diário mesmo estando em cidades ou países diferentes? Certamente o mundo on line contribui para que a saudade seja amenizada e que amigos continuem participando um da vida do outro.
Mas um alerta precisa ser acionado quando se fala em relacionamento amoroso entre desconhecidos.  Não que seja intencional, mas o ser humano tende a ser mais complacente com seus defeitos. É raro ter uma autoimagem compatível com o que realmente é, e acaba apresentando ao outro, alguém que gostaria de ser e não a realidade.
Isso não é privilégio da internet. A grande maioria faz isso nos primeiros encontros. Depois aos poucos vão se deixando ser vistos, e as pessoas se apaixonam pelas outras apesar dos pontos negativos. O que não ocorre no virtual.
Qual o grande mal disso? O principal problema é apaixonar por alguém inexistente, o príncipe ou princesa encantada perfeita, com sorriso contínuo, perfume de flores e galanteios eternos. A realidade é que todos tem momentos de mau humor, acordam com cabelos despenteados, precisam escovar os dentes, tomar banho, ir ao banheiro, pagar contas, enfrentar filas, pegar transito engarrafados, ou seja, todos tem problemas e lidam com eles de maneira específicas. Só se pode perceber isso convivendo. E não adianta marcarem encontros uma vez por mês, porque não é o suficiente para se perceber essas nuances.
Como a vida não existe um manual a ser seguido, o melhor é ficar atento aos detalhes e descobrir como utilizar a inteligência emocional. Leia o mundo a sua volta!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

PESSIMISMO É UMA DOENÇA

Fabíola Cangussu
Repórter


Por mais difícil que seja, a convivência com pessoas pessimista é algo que a maioria das pessoas já teve que vivenciar, tanto em ambiente de trabalho ou mesmo em relações pessoais. O que poucos sabem é que o pessimismo é uma doença que tem cura e a pessoa mais otimista do mundo também passa por momentos assim.
Martin Seligman, psicólogo estadunidense, professor da Universidade da Pensilvânia, ex-presidente da Associação Americana de Psicologia, conhecido como Dr. Felicidade, provou através de estudos científicos que o péssimo causa danos reais a saúde e aos relacionamentos.
Segundo Martin, o pessimista tende a ter depressão, a ser inerte, ansioso, dificilmente leva um projeto até o fim, uma vez que não acredita que irá obter sucesso. Isso acontece também no campo dos relacionamentos. É complicado viver perto de alguém com uma nuvem negra na cabeça. Alguém que não sorrir de si mesmo e que não apoia os sonhos.

Os estudos revelam que o nível de otimismo não se mantém estável. É cíclico. “Assim que nos levantamos, a tendência é para o desânimo e à medida que o dia avança, o nosso otimismo cresce e atinge seu pico por volta das dez horas da manhã. Lá pelas quatro horas da tarde, o nosso ânimo baixa para subir novamente no início da noite”.
Na madrugada há uma queda do grau de otimismo de novo. Mas nada para se preocupar uma vez que os especialistas ressaltam que essas oscilações ajudam a manter o equilíbrio, e faz com que o otimismo exagerado não camufle as dificuldades, promovendo doses de realidade em todos os projetos de vida.

PESSIMISMO TEM CURA!


Um dos primeiros passos é perceber que está doente e procurar ajuda profissional. Hoje o acesso a bons psicólogos está muito mais fácil. Os especialistas conseguem descobrir as causas do pessimismo e trabalhar esse descontrole emocional. Outra maneira é comprometimento das pessoas ao redor.
É dever dos amigos e colegas de trabalho fazer com que o pessimista questione o porquê dessa negatividade e promover uma onda de otimismo ao ponto de contagiá-lo.
Mas vale ressaltar: É uma tarefa a longo prazo. Não pense que a mudança será instantânea. Principalmente porque há uma alternância entre o otimismo e pessimismo, e nas pessoas predisposta a ver o mundo pela lente da negatividade, é muito mais difícil retornar para a onda do otimismo.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

UM DEPOIMENTO SOBRE APRENDER A SE AMAR

Encontrei esse texto de Patrícia Montenáre na Marie Claire, e achei que estava de acordo com o blog, então resolvi publicar.

Quando a norte-americana Jenn Leyva tinha 16 anos, seu pai lhe disse que, se ela perdesse peso, ganharia um carro de presente. Ela chorou, foi para seu quatro, terminou a lição de casa, deixou a casa da família e hoje vive em Nova York, onde é ativista das mulheres acima do peso e estuda bioquímica – para, entre outras coisas, entender a composição das moléculas de gordura.
Também mantém o Tumblr Fat and the Ivy, em que relata suas dores e delícias por ter quilos a mais do que o considerado “normal” por nossa sociedade. Foi lá que achei o texto que reproduzo a seguir, sobre a experiência de aprender a amar um corpo que todo mundo a ensinou a rejeitar. É um depoimento importante pela reflexão que traz. Confira e deixe sua opinião nos comentários:

“Quando chega o dia da minha aula de balé, 30 minutos antes, o medo e o pavor tomam conta dos meus pensamentos. Isso acontece porque tenho de escolher minha roupa e, embora tenha um armário bem abastecido, nunca fico contente com o resultado. Gasto pelo menos 20 minutos vasculhando minhas gavetas em busca de uma roupa que não existe. Procuro algo bacana, que fique bem em mim, mas me dou por vencida e acabo sempre optando pelo mesmo shorts masculinos e camisetas oversized.
Em seguida, começo a sentir medo de olhar meu corpo no espelho quando chegar à aula, ou de acabar me comparando a outras colegas. Penso em ficar na última fila, o mais longe possível dos espelhos. Quero evitar ser surpreendida pela visão de minha papada. Ou de minha barriga escapando da camiseta.
Nessa hora, tenho de me lembrar que, sim, sou bonita e, mais importante, digna de estar naquela classe com as outras meninas. Lembrar que amo meu corpo e que posso sentir prazer em movê-lo. Que posso ter esse momento e encontrar a beleza em mim.
Eu detesto classificar estes problemas (sim, eu reconheço que eles são problemas) como uma questão de “imagem corporal”. ”Imagem corporal” não diz respeito exatamente à imagem dos corpos. Mas sobre as relações que temos com eles. É sobre como os olhamos, como eles se movem, como os sentimos e os tratamos.
Na maioria dos debates que presenciei sobre isso, percebi que todos culpam os meios de comunicação e a publicidade por exporem as meninas a padrões impossíveis de alcançar – e assim deturpar a tal “imagem corporal” que temos. Mas mais do que vender produtos, esses estímulos midiáticos levam as pessoas a terem hábitos pouco saudáveis: dietas loucas, alimentação desordenada, uso de remédios não confiáveis, cirurgias desnecessárias.
E, no entanto, muitos desses comportamentos já me foram recomendados por profissionais da saúde. Veja, não sou obesa mórbida, embora os quilos a mais me acompanhem desde criança. Quando eu tinha oito anos, um médico chegou a ter uma conversa séria com meus pais, para alertá-los de que eu era “grande” demais para minha altura. Foi quando me deu uma lista com 10 dicas para que eu começasse uma dieta.
Era para ter sido um gesto qualquer, sem grandes implicações, mas tornei uma obcecada pela lista. Ali, enxerguei meu corpo como uma falha pessoal, e essa lista era chance que eu tinha de me redimir. Passei a seguir à risca as orientações, e a partir daí minha adolescência se encheu de consultas médicas com todos os tipos de especialistas, dietas mirabolantes, choros escondidos. Os médicos tratavam meu corpo como se ele fosse uma doença, e acreditei neles. Eu acreditava que minha gordura corporal significava que eu estava sobrando no mundo. Que era preguiçosa, desleixada, alguém em quem não devíamos confiar. Que, por isso, eu mesma não deveria confiar em mim. Mesmo quando sentia fome, não me sentava à mesa; não queria agravar esse problema
Com o tempo, entendi que deveria me afastar dos tratamentos convencionais ditos de saúde caso quisesse de fato resolver meu problema de “imagem corporal”, pois eles eram consequência direta do entendimento errado que os médicos tinham de minha situação. Eu não tinha um problema; era apenas diferente. Para entrar em paz com meu corpo, tive de rejeitar tudo o que conhecia até então.

Passei eu mesma a escolher meus médicos e a estabelecer firmes limites nessas relações. Dizia claramente: “Não quero dietas. Quero uma alimentação adequada”. Assim, fui aprendendo a amar o meu corpo, minha flacidez, o jeito como meus músculos reagem aos movimentos. Abracei meus quilos a mais. E fiz isso porque me preocupo demais com meu corpo, com o relacionamento que construí com ele.
Quando estou na barra de balé, prestes a começar minha aula semanal, lembro-me de que, ainda que seja difícil, é importante que eu ame meu corpo. Que devo apreciar a graça dos meus movimentos. À medida em que começo a dançar, a saltar, percebo de que há poder no meu corpo: minhas pernas são saudáveis e me empurram para cima rapidamente, facilitando também o retorno.
Mesmo assim, ainda que eu tenha toda essa consciência, admito que tenho medo de ver, mesmo que de relance, algo feio no espelho. Até agora, no entanto, só vi o meu corpo. Meu corpo curvilíneo, gordo, mas bonito.”